segunda-feira, 27 de abril de 2009

Noite sem estrelas.

Andei perdida pelas mesmas ruas de ontem. Ruas asfaltadas, negras, duras e pesadas de se andar. Ali não se tem calçada. Ali não se importam com quem anda a pé. Rua feita para carros.  Meio desengonçado, meu caminhar continua leve e solto, porém agonizante. Vistas embaçadas. Cabelos sem pentear mostram o desmazelo do meu ser. Não sei ao certo para onde preciso ir, só sei que preciso ser rápida, ou será tarde demais.

            O céu laranjado como em noite chuvosa de outono, nem uma única estrela pode ser vista. Talvez uma única, apagada! Eu, que sempre me senti uma estrela, hoje, me apresento como mendigo. Nunca me vi assim. Agonia! É isso, essa é a desculpa de minha aparência descuidada e minha pressa com passos pequenos e inocentes. Não sei onde estou, não sei para onde vou. Pouco sei daonde vim. Assim sendo, pouco sei de mim. Noite passada, estive aqui. Cheguei lá. Festa! Não me esperavam, mas não me bateram a porta na cara. Hoje, casa silenciosa, onde ontem havia música, casa escura, onde haviam luzes coloridas. Quem eu procuro? Não sei ao certo. Procuro uma moça. Não sei quem é ou porque estou a sua procura. Só sei que ele deveria estar lá. E não está.

            Meu pensamento retorna, ainda estou na rua. Tive apenas um pressentimento. Continuo tropeçando. Mesma esquina de sempre, aquela que me deixa com dúvidas. Que fazer? Peguei o mesmo caminho que já sabia que era errado. Mas noite passada consegui chegar, não foi? Mesmo errando a escolha, cheguei no destino. Lágrimas. Sinto os olhos muito embaçados e as lágrimas no rosto rolando. Inevitável. Cheguei. Vazio. Sem luz. Escuro. Tenho medo de escuro. Desculpa. Só vejo escuro. Preciso enfrentar? Sozinha!

 

Ou quem sabe... amanhã sonho de novo com esta estrada, e lá tenho companhia.

 

(KS) 27/04/2009

Um comentário:

Isa. disse...

Porra. você me surpreende :)