terça-feira, 30 de junho de 2009

Ela.


Ele. Aquele garoto. Que cara de safado! Quando o olhei de primeira, nem percebi o fogo que escondia. Uma cara de quem é idiota, e um molenga na cama. Ah, que bela enganação.

Agora, nessa cama, suada. Vejo que foi a melhor coisa que me apareceu nos últimos meses. Garoto que na cama se revela homem. Em pensar que conheci numa mesa de bar de esquina. Nunca imaginei que aquele moço cabisbaixo me daria tanto prazer e me faria gozar duas ou três vezes, como nenhum outro.

Fui no bar naquele dia, apenas procurando me afogar num copo de 51. Ah! Por que diabos sentei no balcão? Sempre sentava-me á mesa. Mas me sentia sozinha demais na ocasião. Um banquinho que mal cabia meu quadril e um balcão de alumínio parecia a melhor companhia. Pedi para alcançar-me o guardanapo. Olhei seus olhos negros como a noite, e apagados com uma vela inútil. Deu um sorriso sem graça e me passou o bendito guardanapo. Ficamos ali por umas 2h. Ás vezes nos olhávamos. As vezes não precisava. Achei uma companhia. Não me perguntava, não me enchia o saco, não mandava em mim. Tinha assim o meu espaço.

Hoje? Bem hoje nos encontramos na esquina da rua XV. Seguimos lado a lado até a pousada, sem uma palavra mencionar. É estranho alguém saber o que te dá prazer e o que te faz mais feliz, mesmo olhando só seus olhos... deve ser isso que chamam de química, ou safadeza, não sei. Tanto faz, não importa.

Resolvemos escolher a Posada de luz amarelada incandescente hoje, meu dinheiro é bastante, mas não posso esbanjar sempre. E além do mais, estamos em uma de inovar o lugar. Peguei a chave, ele me olhou quando estávamos na porta do quarto. Comeu-me pelo olhar. Me senti nua, despida. Despida de roupa e de pudor. Com ele sinto-me livre e solta. Posso ser quem eu quiser. Ninguém me impede.

Pressionou-me contra a porta. Beijou meu pescoço, minha nuca, meu queixo, minha orelha, mordiscando-a. Nunca me beijara na boca. Nem eu sequer pedia isso. Beijo na boca serve para apaixonados, adolescentes, garotos e garotas. Eu queria mais que um simples beijo. E isso ele me dava.

Abriu a porta como se aquele fosse o melhor momento, me apertou contra ele, me jogou na cama. Puxei-o comigo. Ele acabara de rasgar minha blusa. Pouco importa, amanhã compro outra. O prazer que ele me daria alguns momentos depois compensaria. Chupou meus seios. Apesar de velha, ainda tenho um belo corpo. Talvez o quadril mais largo do que gostaria, mas nesse momento nada, absolutamente nada me importa. Domou-me. Hoje estava inspirado. A namoradinha dele deve tê-lo deixado louco antes de me encontrar.

Sei dela, pois já o vi passeando no centro de mãos dadas. Pobre garota. Mal conhece a vida e se acha dona do mundo. Espere ter a minha idade. Ah...

Ele me fez gozar, tão bom hoje. Penso que a cada dia ele se supera, ou eu me entrego mais. Não sei.

Vou continuar me esquivando desse mundo, enquanto posso, aqui. Nesse quarto.

Viro pro lado. Durmo.


(KS) (12/03/08)

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