terça-feira, 23 de junho de 2009

Saúvas.

Sinto meu corpo bezuntado em mel. Parece gostoso.
Até você saber que por cima do mel,
existem pequenas saúvas. Comendo minha carne, uma a uma
beliscam minha pele, para que eu sinta uma dor de cada vez.
Para que eu sinta muito bem a dor. Então, uma a uma me corroem.
Então, uma a uma se enche do meu sangue e se delicia com o mel que tenho na superfície da pele.
Mas elas não se contentam apenas com o mel que lhes foi deixado. Não!
Elas vão além, comem a carne por debaixo dele, e comem mais, formando pequenas corrosões.
E como se não bastasse só meus membros, elas sobem pela barriga, dando uma espécie de cócegas, dor
e tortura. Sobem para o rosto. Não consigo exprimir o olho de modo suficiente, uma delas entra na menor abertura que
deixei para espiar. Entra e então, meu olho arde. Ainda consigo ver pelo outro. Elas continuam sem parar.
Meu couro cabeludo nunca esteve tão coberto por cabelos como agora. Pena que não são cabelos. São saúvas.

(KS) 23-06-09

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