terça-feira, 15 de setembro de 2009

Uma das Flores, Cap 5



Sol. Estrela maior. Estrela brilhante, sol nascente, sol poente. Sol.

Gosto do sol. Deixaram-me longe dele por semanas. Senti falta do seu calor. Da sua luz, da sua força, energia inacabada. Você sabia que a luz do demora oito minutos até chegar a Terra? Você sabia que a Terra é vista azul por causa dos gases que envolvem nossa atmosfera? Você sabia que gases liberam cores? Você sabia que as cores me devolvem a vida, e a vida me tira da sobrevida? Dê-me cores!

Estava eu, muda, apática, telepaticamente comunicativa, vocalmente restrita. Não! Não falem comigo. Quero silêncio, quero paz. Borrachas são feitas do látex da seiva da árvore. Eu sou feita do liquido do útero da mãe. A mesma mãe, cujo liquido vim, me deixou aqui. Sem sol e sem cores. Eu não consigo amá-la. Não agora. Talvez, depois. Talvez daqui cinco minutos. Só cinco.

Revirei os olhos, prendi a mandíbula. Doeu. Saco! Senti um comichão em cima do umbigo. Barulho! Fome. Eu estava com fome. Fome? Não sabia o que era isso nos últimos meses. Talvez eu tenha emagrecido. Ou não. Tanto faz. Não uso mais espelhos. E são os espelhos que me engordam. Assim, estou bem. Obrigada.

Todos eles loucos, todos psicopatas, todos mentalmente incapazes. Eu não. Sou a única sã dentre essas mentes repugnantes. Odeio todos eles com bunda de fora. ..

Ótimo, agora eu estou com a bunda de fora. Quem tirou minha calcinha? Morra seu verme tarado. Ah, é. São enfermeiros.

Gosto de enfermeiros. São homens. São bonitos. Mas só alguns.

Até breve!

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