sábado, 23 de julho de 2011

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o vento torna frias minhas lágrimas, aquelas lágrimas
que são diminutas gotas que insistem em ficar
grudadas nos olhos. aquelas que secam antes de encostarmos
o dedo solidário, que tenta afastar as gotículas como
nós gostaríamos de afastar os sofrimentos, num único gesto.
essas por vezes não são dignas de serem chamadas lágrimas, pois
não escorrem pelas bochechas, mas ficam estocadas entre as pálpebras...
como um prisioneiro agarrando as grades, como a gota do orvalho de manhã...
e só porque não escorrem são menos importantes ou intensas?
acho que não escorrem pois não tem movimento...
não tem vida. elas brotam do mais solitário sentimento.
elas dizem tudo, mas só quem as retém é que ouve.
os outros as chamam de lágrimas de crocodilo...
quem dera fossem os crocodilos que as derramassem, e não eu.





kika
23/07/11

Um comentário:

Isabela disse...

Adorei.